9 de nov. de 2012

Nas águas do tempo

 Era uma tarde de 20 de março de 1956, fazia ventos e uma leve garoa, quando Antonieta se debruçará sobre a soleira da janela do quarto da frente e ficará a fitar constantemente aquele aguaceiro cair e enquanto isso, pensará o que de mau havia feito em sua vida para que aqueles sonhos de donzela não tivessem se concretizado.
 O peso da idade já transpassará por seus cabelos - que já não eram mais tão negros -, suas vestes não eram as mais belas e sua pele houverá se enrugado,  assim como seu coração. Antonieta realmente tinha envelhecido.
  Ela então, caminhara até a sua cama, e alcançara sob ela uma caixa vasta de lembranças. Dentro dela, houvera cartas, jóias, poemas e fotos de pessoas que nem lhes fizera tão feliz assim - e ao rever tudo aquilo, põe se a chorar. É quando ela resolve escrever um ultimo telegrama despedindo-se de tudo isso que só lhe trouxera infelicidade, amargura e dor e deixará tudo aquilo partir, junto com aquela garoa dos 20 de março.
Arianib

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